Tudo sobre o mundo submarino onde eu vivo.
O mundo do nada!
Domingo, Julho 30, 2006
A minha mãe é uma mulher sábia. Tenho a ilusão de um dia ser tão sábia quanto ela para dizer coisas legais como: "Eu vivia querendo fugir e morar em outro canto qualquer, quando eu descobri que teria que me levar para todo lugar que eu fosse, desisti dessa bobagem."
Eu costumava ter orgulho da minha organização. Eu tinha todos meus papéis organizados por assunto, por data e todas essas coisas que uma pessoa obsessiva utiliza para organizar. Minhas roupas eram separadas por modelo e por cor. Calças jeans organizadas da mais clara para a mais escura, vestidos organizados por comprimento, blusinhas e camisetas organizadinhas nas gavetas.
Nos últimos meses, minha coisas parecem que estão jogadas numa lixeira. Tudo desarrumado. Eu olho para elas e não tenho a mínima vontade de organizar. E lembrar que eu passava mal quando via alguma pequena baguncinha...
Minha terapeuta disse uma vez que a minha mania de organização exterior refletia a minha desorganização interna. Será que eu finalmente pus minha cabeça no lugar? Acho que não. Acho que, agora, zangou tudo mesmo. Nem organização externa, nem interna. Bagunça total.
O pior é que eu estou achando bom. "Eu acho bom ficar achando bom."
Minha mãe tem a mania de contar os sonhos mais doidos e sem sentido do mundo e depois perguntar: "o que será que isso quer dizer?". Ninguém consegue responder porque os sonhos são realmente estranhos, eu duvido que tenham algum significado.
Eu contei isso para dizer que eu tive um sonho estranho. Eu sonhei que estava namorando o Dado Dolabella. Veja bem, isso não tem o menor sentido porque o Dado Dollabela é a pessoa do mundo das celebridades que eu menos gosto.
Na verdade, eu não gosto do Dado Dollabela, mas não acho que é correto dizer que não gosto de uma pessoa que não conheço, que só vi pela televisão. Isso também não faz muito sentido já que eu acho corretíssimo dizer que eu adoro o Rodrigo Santoro que eu também não conheço, só pela televisão. É o tal do politicamente correto, não pode dizer que não gosta sem conhecer, mas dizer que gosta sem conhecer, pode.
Bom, foi isso que aconteceu: eu sonhei que estava namorando o Dado Dollabela, que é uma celebridade que eu não gosto... O que será que isso quer dizer?
Eu gosto de comer, mas comer muito. Do tipo até passar mal, até não poder mais. Como diz a minha amiga Larissa: "comer até precisar de sonrizal". Rodízio, para mim, é uma das melhores invenções do mundo. E, hoje em dia, existe rodízio de tudo: de carnes, de comida japonesa, de comida italiana, de sorvetes... Uma maravilha!
O negócio é o seguinte: eu já não sou mais uma garotinha. Agora que cheguei nos "inta", meu metabolismo é mais lento, e assim a minha tendência é engordar normalmente, como me explicou minha professora da Curves. Imagine o que eu vou engordar se continuar comendo o tantinho que como.
Desse modo - como o mundo é cruel e não aceita os gordos -, a coisa que eu mais gosto de fazer passou a me preocupar realmente. Antes, eu me preocupava com o peso (porque toda mulher se preocupa), mas não me preocupava realmente, entende?
Com a viagem para Campos do Jordão, descobri que enquanto eu estou fazendo outras coisas que gosto de fazer minha atenção se desvia da comida. Aí, resolvi adotar a estratégia de procurar várias coisas que eu gosto de fazer, para não precisar ficar preocupada com a minha paixão, que é comer.
Eu gosto de sair, mas sair aqui em Goiânia 80% das vezes envolve comer... Eu poderia viajar, como fiz para Campos.
Eu gosto de ler. Eu leio de um tudo desde que seja ficção, de JK Howling a Dostoiévski. Não gosto de não-ficção: auto-ajuda, biografias, essas coisas não gosto. Também não sou fã de realismo fantástico, indo contra a maré. Ultimamente, estou apaixonada pelo Delegado Espinosa, mas eu sei que ele está temporariamente afastado de suas funções.
Eu gosto de filmes. Vou tentar comparecer mais no cinema. Sem promessas porque cinema (a sala escura no shopping) me dá preguiça. DVD seria uma boa opção, já que - finalmente, depois de todas as outras pessoas do planeta - eu comprei meu aparelho de DVD.
Eu gosto de internet. Só que a internet é um mar de opções que eu não conheço direito. Além dos sites dos amigos, eu não consigo visitar muita coisa.
Então cheguei ao ponto: estou escrevendo para pedir aos meus colegas internéticos ajuda para não ficar gordona, porque gordinha eu já sou. Se puderem, indiquem lugares, livros, filmes e sites que vocês achem legais para eu poder me distrair da comilança.
Um filósofo falou na televisão, naqueles programas chatérrimos que minha mãe adora, que a bajulação funciona melhor com aqueles que têm um conceito elevado de si mesmos. E eu que achava que não tinha auto-estima...
Nesses blogs da vida, eu leio muitos meninos de 25 anos que acham que já viveram muito e querem ensinar alguma coisa para as crianças de 15 anos. Eu leio colegas de trinta e poucos que acham que já viveram muito e querem ensinar alguma coisa para os jovens de 25 (o que eu também penso, confesso). Eu leio amigos de mais de trinta e poucos que acham que já viveram muito e querem ensinar alguma coisa para os colegas de trinta e poucos.
Aí, eu me pergunto: em algum momento da vida nós vamos nos dar conta de que ainda não vivemos nada e que temos muito o que aprender?