Quarta-feira, Abril 18, 2007

Meu minino é menino!

marianinha nadou aqui às: 5:55 PM :: 


Domingo, Abril 08, 2007

Escrevi o texto que mencionei no post anterior.


A lembrança mais antiga da minha infância é com meu vô Pedro. Eu devia ter uns três anos (a Fernandinha, minha irmã, nem tinha nascido). Era de manhãzinha e minha vó Margarida me colocou em pé em cima da pia da cozinha para olhar na janelinha. Eu queria ver meu avô ir no mercadinho em frente comprar pão, leite e Danoninho. Eu estava ansiosa pelo Danoninho, até hoje uma das minhas comidas prediletas.

Fiquei olhando, da janelinha basculante que ficava na cozinha do apartamento, meu vô Pedro atravessar a rua. Minha vó me segurando bem firme pela barriga. Eu não tinha medo de altura. Eu não tinha medo de muitas coisas que hoje me dão vertigem só de pensar.

Me lembro com clareza de ver meu vô Pedro bem pequeno lá na rua, caminhando com seu passo longo e tranqüilo. Meu vô era um homem bem alto e para mim, criança com três anos, era praticamente um gigante. Era engraçado vê-lo tão pequeno.

Quando me lembro do meu vô, é aquele passo longo e tranqüilo que vem a minha mente. Meu vô tinha pernas longas e nunca corria, nunca apressava o passo. Ele não corria porque nunca se atrasava. Era sempre, eu disse sempre, pontual, como o velho "relogião" de pulso que ele tinha desde mil, novecentos e antigamente.

Outra coisa característica do meu vô Pedro era "a música". Ele estava sempre murmurando uma música que ninguém sabia ao certo qual era. Me lembro perfeitamente dela. Acredito que era alguma coisa de Nélson Gonçalves, o cantor predileto dele, não tenho certeza. Ninguém tem, só ele.

Tinha também o tapinha nas costas da mão. Quando meu vô Pedro estava satisfeito com alguma coisa, qualquer coisa (até mesmo com o simples fato de irmos visitá-lo, na época em que já não morávamos mais com ele), ele dava uns tapinhas nas costas das nossas mãos. Era o modo dele dizer: "estou feliz com isso".

Meu vô Pedro tinha um modo particular de dizer as coisas que sentia. O tapinha na mão era uma dessas maneiras. O riso nervoso era outra. Quando ele ria nervoso, queria dizer: "acho absurdo e não concordo com isso que você está fazendo/dizendo". Mas geralmente ele só ria nervoso para os adultos, o que nos deixava, crianças que éramos, bastante confortáveis.

Ele se dava muito bem com as crianças que conhecia. Era muito querido por elas porque as ouvia e respeitava suas opiniões, mesmo que às vezes elas dissessem os maiores disparates do mundo. Era o caso da "lata do leite". A minha irmã cismou que nata (aquela película do leite), deveria se chamar lata porque vinha do leite, entendeu? Leite, Lata. Pois ele não teve a presença de espírito de dizer que tinha lógica no pensamento esquisito dela? E, por muito tempo, os dois só chamavam a nata de lata. Na época, eu fiquei possessa de raiva, porque era uma criança muito chata e queria tudo certinho, mas hoje acho muita graça.

Alguém pode pensar que eu fiquei com raiva por ciúmes, mas não. Eu era bem chatinha mesmo. É verdade que a Fernandinha sempre foi a neta preferida do vô Pedro, coisa que ele não escondia de ninguém, dizia com todas as letras (sinceridade, outra característica). Mas eu não tinha ciúmes, achava era bom. Eu sempre adorei aquela menina, sempre me senti um pouco responsável por ela (pretensiosa nem um pouco, né?), e tinha orgulho de saber que ele preferia ela aos outros. No caso, os outros eram meus primos e primas.

Ele foi seminarista (uma vez, ele já estava acamado e alucinando, eu perguntei sobre a época do seminário e ele cantou uma música em latim). Converteu-se ao espiritismo porque uma moça jovem (acho que numa sessão espírita) falou sobre o dia em que ele, ainda criança, ofereceu leite a dois meninos retirantes que morriam de fome. Apenas sua Dindinha, já falecida na época, sabia do episódio. Nunca o vi lendo um livro que não fosse sobre a vida espiritual e ele lia todos os dias.

Fugiu do seminário para vir para o Sul, como dizia. Era nordestino. Nasceu em São Raimundo Nonato, no Piauí, a cidade onde foram encontrados os fósseis do homem mais antigo das Américas. Emigrou ainda jovem para Goiás, onde encontrou Goiânia com apenas três ruas abertas.

Aqui, conheceu minha vó Margarida. Ele era um homem muito bonito (tenho fotos) e bastante mulherengo, segundo dizem. Mas, sem dúvida, minha vó foi o amor da vida dele. A única vez em que ele chorou na vida foi no dia em que minha vó morreu. Chorou escondido. Só falou novamente sobre minha vó Margarida depois que a doença chegou e o libertou das convenções. Explicou que sentiu muita dor com a morte dela e, sendo criado numa época em que se dizia que homem tinha que ser forte e não podia chorar, não conseguia tocar no assunto.

Ele era alfaiate, fazia ternos. E foi sindicalista. Fundador e Presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Confecções do Estado de Goiás. Contava que era amigo pessoal do Jango Goulart. Foi cassado no Golpe de 64. Nunca mais se interessou pela política. A não ser para ver o Lula - sindicalista como ele - ser presidente. Coisa que não viu, porque o alzheimer foi mais rápido.

Uma das coisas que mais gostava na vida era dirigir. Tinha um fusca. Agora imagine, um homem grandão, com aquelas pernas longas, espremido atrás do volante do fusca... Mesmo assim, ele dizia que quando viajava de carro e estava chegando ao destino, tinha vontade de fazer o retorno e voltar para a cidade de partida só para poder dirigir mais um pouco. Nos últimos tempos, mesmo antes da doença, tinha perdido o gosto por dirigir. Falava que não podia sair na rua que alguém gritava: "Só pode ser velho mesmo... Ô velho, sai da rua!"

Tomara que ele tenha encontrado minha vó Margarida. Que no lugar onde esteja, os carros sejam possantes e as estradas sem nenhum buraco para que ele possa dirigir o quanto quiser. Tomara que de lá, ele possa ver o mundo aqui se tornar o mundo melhor que ele sonhou: mais espiritualizado, mais justo e igualitário, em que todos respeitem as crianças e os velhos. Que ele encontre a felicidade eterna!

Um beijo, vô!

marianinha nadou aqui às: 2:05 AM :: 




Tem outra coisa. Meu avô Pedro faleceu na madrugada do dia 20 para o dia 21 de março. Ele é como um pai, um pai-avô ou um avô-pai. Eu tenho um texto enorme na cabeça para escrever sobre ele. Mas ainda não elaborei as coisas. Não parei para pensar e colocar no papel ou na tela do computador. Mas eu vou escrever, vou mesmo.

marianinha nadou aqui às: 12:06 AM :: 


Sábado, Abril 07, 2007

Esse poema eu ganhei do Manoel, meu colega de trabalho:

"Milagre acontece, mesmo em dia nublado,
A vida pede passagem em seu mundo atribulado.
Resolve se encarregar de encontrar a solução,
Invade sem perguntar, não quer qualquer opinião.
A vida logo chega e resolve sua preocupação.
Nem a nuvem mais escura poderá ser problema
A sua outra vida começou e será - já é - plena."


Não é bontininho? Uma graça!

Sim, eu estou grávida e vou ter um bebê. Todo mundo já sabe, e já era hora de vocês saberem também. Esse é um dos motivos pelos quais eu estou escrevendo tão pouco. "Minino" dá muito trabalho. Ainda nem nasceu e eu já tenho tanta coisa para fazer!

Uma observação: "minino" é como nós, goianos caipiras, chamamos as crianças em geral. Meninos, meninas, bebês, primeira infância, pré-adolescentes, adolescentes - são todos "mininos".

Respondendo às perguntas que não sei se alguém irá fazer, mas alguém sempre faz: Estou na 15ª semana. Eu e o bebê estamos bem de saúde. Não estou sentindo nada, nem enjôos, nem insônia, nem desejos de grávida, nada. O bebê ainda não chuta, mas posso sentir onde ele está na barriga porque ela (a barriga) fica mais dura no lugar. Ainda não sei se é menino ou menina, vou tentar saber semana que vem. Ainda não escolhi e nem tenho a mínima idéia para um nome, nunca pensei nisso e tá difícil escolher.

Então, é isso. Depois eu conto mais.

marianinha nadou aqui às: 11:37 PM :: 


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