Quase todo mundo que eu conheço tem uma música que eu presenteei. Veja bem, eu não fiz a música para a pessoa (porque nem de longe eu tenho esse talento). A música já existia e eu presenteei a pessoa com ela. É mais ou menos como um trilha sonora.
Ninguém nunca soube que ganhou uma música de mim, só eu sei que aquela música é daquela pessoa. Quando toca a música, eu me lembro da pessoa ou quando eu vejo a pessoa, lembro da música. Algumas vezes, quando acontece alguma coisa importante com a pessoa, posto a música aqui.
Meu minino tem uma música (que por essas coisas do destino foi parar numa propaganda de cartão de crédito, argh!, mas a música era dele bem antes). Estou dizendo isso porque queria postar ela aqui hoje, mas não vou. Ela vai acabar aparecendo mais cedo ou mais tarde.
Queria postar a música porque eu estou muito feliz com tudo que está acontecendo na minha vida. E tudo que está acontecendo na minha vida que me deixa feliz tem a ver com o meu minino.
Eu me acho. Não é brincadeira, não. Eu me acho mesmo.
Anteontem, tive a penúltima aula da minha pós. O professor pediu um trabalho escrito sobre um assunto chatíssimo de Direito Processual do Trabalho. Aliás, este semestre fomos obrigados a entregar um trabalho escrito uma semana sim, outra não.
Quase fiquei louca. Imaginem, eu com um milhão de coisas importantes na cabeça, como berço, mijãozinho e mamadeira, sendo obrigada a estudar coisas absolutamente irrelevantes como a admissibilidade da cautelar para suspensão da execução da sentença rescindenda e sua aplicabilidade no Processo do Trabalho (tema que, diga-se de passagem, foi totalmente superado pela nova redação do art. 489 do CPC).
Então, voltando ao assunto, anteontem, por questões alheias a minha vontade (leia-se cheguei em cima da hora), sentei na primeira carteira da primeira fileira. Não tinha outro lugar. Vocês não odeiam quando isso acontece? Eu, sim.
Bom, não sei se vocês sabem (devem saber), mas quem senta na primeira carteira da primeira fileira recebe todos os trabalhos para entregar para o professor, naquele esquema "passe para frente, para que o pobre atrasado que sentou na primeira carteira entregue para mim". Por isso, eu tive acesso a alguns trabalhos de colegas, inclusive alguns que eu considero muito bons. Pois, eu digo, achei meu trabalho muito melhor. Bem melhor de verdade. E olha que esse foi, no meu conceito, meu pior trabalho do curso.
Não é legal isso. Falta de humildade não traz benefícios. Quem se acha, não está aberto a novas idéias, melhorias e sugestões de mudança. Quem se acha, tem certeza que todas as outras pessoas do mundo vão admirar seu trabalho, o que é uma completa ilusão. Quem se acha, fica imensamente frustrado quando sua obra não é admirada como pensa que deveria. Quem se acha, não vai para frente porque acredita que já está lá!
E eu pagando fortunas de terapia para descobrir de onde vem minha acomodação...
As grávidas não são imagens andantes do Buda. Barriga de grávida não foi feita para você alisar e se você ficar esfregando não vai ganhar dinheiro. Use toda a sua força de vontade, resista, e nunca, mas nunca mesmo alise uma barriga de grávida.
Não sei o que é pior: não poder dizer que isso incomoda muito; ter que ficar parada esperando a pessoa desconfiar e largar a barriga; ou ficar rindo com cara de satisfeita. Sim, porque se grávida não fica satisfeita em ter uma pessoa alisando a barriga dela é porque ela deve ser psicopata. As grávidas devem ser agradecidas pelo fato de que todo mundo quer pegar na barriga delas, inclusive completos desconhecidos.
(Eu estou tão com a pá virada por causa disso que não deixei meu pai pegar na minha barriga. Depois fiquei com remorso. Mas com ele eu posso reclamar sem que imediatamente passe a ser vista como uma bruxa insensível)